A Alegria Estimula a Produtividade no Trabalho
Georges Snyders, educador francês contemporâneo, afirma: “A alegria é um acto e não um estado no qual nos instalamos confortavelmente, é a actividade de passar para… A alegria também é um acto, na medida que, por meio dela, a potência de agir é aumentada, um acréscimo de vida, fazendo o indivíduo sentir-se como que prolongado, enquanto a não-alegria vai restringir-se, reduzir-se, economizar-se, ficar de vigília ou entregar-se à dispersão.”
Dos tempos de escola, todos nos lembramos daquela terrível aula, chatíssima, interminável, no laboratório. Mas também nos lembramos daquela professora pela qual todos os miúdos se apaixonaram, e do professor pelo qual todas as meninas suspiravam. Os intervalos mais longos; as animadas conversas com os colegas, alguns até amigos; as aulas de desporto e o futebol… enfim, os momentos mais aborrecidos, mas também os mais interessantes, agradáveis, divertidos, foram todos compartilhados nesse tempo de escola.
E é assim no trabalho: é entre os colegas e amigos que compartilhamos as alegrias de um namoro, casamento, nascimento de filhos, aniversários, promoções; assim como as tristezas de uma discussão familiar, separação, morte, ou de uma repreensão recebida do chefe (sempre imerecida, é claro!).
Já perdi a conta do número de livros – dos mais diversos autores, de várias nacionalidades – que li a respeito de como melhorar o clima nos ambientes de trabalho. Em nenhum deles, confesso, encontrei algo próximo do que seja a realidade de nosso País. Alguns chegam a propor actividades que atingem totalmente o ridículo, com o intuito de proporcionar algo próximo de um clima alegre e descontraído. São verdadeiros manuais da alegria. Como se isso pudesse ser ensinado, imposto, ou acrescentado como ingrediente de uma receita.
Não é possível encontrar uma alegria de letargia, que se consola diante do fracasso ou da dificuldade como uma forma de compensação. O trabalho pode e deve fazer da alegria o motor da transformação do trabalhador dominado pelo desânimo e pelo desinteresse. Assim, a dificuldade aparece para o trabalhador como desafio, e a alegria não como um acto para a superação da dificuldade presente, mas antes como prazer de se colocar como desafiador.
O que mais interessa no trabalho é a própria alegria de que a pessoa que trabalha é, e não somente o que deva ser, ou virá a ser. A alegria do trabalhador não pode ser separada da alegria de ser gente. Não significa, porém, que as pessoas não tenham de vivenciar momentos de menos alegria, de frustração. É importante lembrar que faz parte do crescimento profissional a
vivência desses momentos. Não se pode apagá-los com a promessa de um futuro deslumbrante, sob pena de apagar definitivamente o próprio presente.
O trabalho ganhou tempo e espaço na vida das pessoas e, por isso, não é possível impedir que elas vivam intensamente esse espaço e tempo conforme suas expectativas. Todas as experiências que procuram afastar pura e simplesmente esses desejos acabam por perder efetivamente a participação dos trabalhadores em suas actividades.
Mas é da alegria compartilhada em grupo que falo, e da necessidade das empresas se abrirem às expectativas dos seus colaboradores. As empresas, deveriam resgatar as relações de solidariedade e fraternidade entre os seus pares. Sobre esta base os profissionais devem criar a sua identidade.
Essa alegria das equipas pode ser traduzida na alegria da divisão das tarefas, do contentamento de trabalhar juntos, que ultrapassa as alegrias individuais, pois as suas escolhas estão ligadas às de outros. Assim, a alegria do trabalho comum é produto da concepção do trabalhador como uma totalidade de tendências e expectativas, num feixe cultural que possa ser compartilhado com outros profissionais e no ambiente de trabalho, como por exemplo, a comemoração de resultados e desafios alcançados.
Muito embora tudo isso não signifique que as empresas devam ter a pretensão de preencher todas as necessidades de realização de seus colaboradores, deve-se levar em conta que há uma relação entre a vida extratrabalho e intratrabalho, como forma de complementaridade e harmonização.
E é sempre preciso relembrar que a empresa, como organização da alegria, da realização plena de um conjunto de colaboradores, só pode existir se aceitar a existência de diferentes tipos de personalidades. Porque, embora tenham evoluído em seus métodos e conteúdos, as empresas em Portugal ainda não levaram até o fim a tarefa de transformar a relação empregador/empregado, compreendendo cada indivíduo, respeitando as suas diferenças.
E, para finalizar – sem a pretensão de dar uma receita, muito menos um conselho -, existem algumas coisas que podem ser feitas para se conseguir felicidade nas nossas actividades: fazer sempre aquilo de que gostamos; sentir-se sempre valorizado pelo que fazemos; estar identificado com a cultura da empresa; procurar fazer sempre que, no nosso ambiente de trabalho, prevaleça o bom humor e o espírito de cooperação entre todos.




